
O Supremo Tribunal Federal, em 2009, firmou o entendimento de que a determinação da extradição tem cunho político, e não jurídico, cabendo ao presidente da República decidir extraditar ou não estrangeiros ao país de origem. Deve-se lembrar que no caso, as famílias das vítimas na Itália estavam pedindo por Justiça há quase quatro décadas e que até mesmo o Parlamento Europeu chegou a editar uma resolução apoiando a Itália para que Battisti fosse extraditado para cumprimento de sua pena.
Passados quase 40 anos dos crimes cometidos e vencidas disputas políticas, foi cumprida a ordem de prisão para cumprimento de pena do italiano, o que traz credibilidade às instituições nacionais. Se não fosse pela revisão do caso nos últimos meses pelo Supremo e pelo ex-presidente Michel Temer, Cesare, condenado pelo homicídio de quatro pessoas, ainda estaria recebendo refúgio político no Brasil, o que não apenas prejudicaria a imagem do nosso país internacionalmente, mas também perpetuaria a sensação de injustiça para as famílias que buscam há quatro décadas a punição do assassino de seus entes.
Mesmo que se entenda pela dúvida quanto à natureza política ou não dos crimes pelos quais Battisti foi condenado, é certo que uma das condenações não tem qualquer vinculo ideológico, assim, em homenagem à supremacia da justiça italiana, o condenado deveria ter sido extraditado, evitando, portanto, retaliação internacional. A prisão de Battisti, embora controversa, simboliza um fortalecimento das relações exteriores e, também, um grande alívio e conforto para as famílias das vítimas.