Profissionalização da Defesa das Prerrogativas

A profissionalização da defesa das prerrogativas dos advogados tem emergido como uma necessidade premente para a Ordem dos Advogados do Brasil. A violação dessas prerrogativas não é apenas uma afronta aos direitos individuais das advogadas e advogados, mas compromete a própria essência do Estado Democrático de Direito, onde a justiça deve ser administrada com equidade e liberdade. A Constituição Federal reconhece o advogado como essencial à administração da justiça, sublinhando a importância de sua atuação livre de quaisquer empecilhos que possam obstaculizar a defesa adequada e efetiva de seus clientes. As prerrogativas dos advogados são pilares fundamentais para a garantia de uma defesa adequada e o funcionamento equitativo do sistema de justiça. Estas prerrogativas, longe de representarem privilégios individuais, constituem direitos essenciais que asseguram aos advogados a capacidade de exercer sua profissão com liberdade e sem interferências indevidas. Contudo, a frequência crescente de violações a esses direitos exige uma resposta robusta e estratégica por parte da OAB, entidade que tradicionalmente desempenha o papel de guardiã dessas garantias. O cenário atual demonstra uma necessidade premente de evolução nas estratégias de defesa das prerrogativas. Incidentes de desrespeito por parte de autoridades, que vão desde a negação de acesso a documentos até tratamentos indevidos em delegacias e tribunais, não só comprometem a advocacia, mas também toda a estrutura de direitos dos cidadãos representados. Diante dessa realidade, a OAB enfrenta o desafio de fortalecer suas ações, transcendendo as metodologias tradicionais de resposta e adaptação às exigências contemporâneas da prática jurídica. Uma proposta inovadora para enfrentar tais desafios é a profissionalização da defesa das prerrogativas através da contratação de escritórios de advocacia especializados. Esta abordagem tem o potencial de transformar o panorama de proteção desses direitos, alavancando a especialização técnica e experiência acumulada por profissionais que já lidam com a matéria de prerrogativas de forma intensiva. A ideia central é que esses escritórios, contratados pela OAB, operem em sinergia com as comissões de prerrogativas, oferecendo uma defesa ágil e fundamentada contra violações. A instituição de um Canal de Prerrogativas Permanente (CPP) representaria uma transformação estratégica notável na forma como a OAB responde às violações das prerrogativas de seus membros. Projetado para funcionar como um centro de comunicação eficaz, o CPP serviria como um elo direto e dinâmico entre os advogados que sofreram violações e a própria OAB. Essa plataforma não apenas facilitaria a rápida notificação de incidentes, mas também permitiria o gerenciamento eficiente desses casos, assegurando que cada um seja tratado com a urgência e seriedade. Operacionalizado por meio de uma plataforma digital moderna, o CPP possibilitaria um registro sistemático e detalhado de cada ocorrência de violação de prerrogativas. Essa tecnologia permitiria o monitoramento constante dos casos, desde a sua entrada até a resolução final, garantindo uma transparência total no processo. Com tal sistema em vigor, a resposta da OAB às violações das prerrogativas se tornaria mais ágil, permitindo intervenções mais rápidas e fundamentadas, o que é essencial para a proteção efetiva dos direitos dos advogados e, por extensão, do sistema de justiça como um todo. Outro aspecto fundamental é a utilização da jurimetria como ferramenta para a análise das violações das prerrogativas. Através da coleta sistemática de dados sobre as incidências de desrespeito às prerrogativas, seria possível realizar análises profundas para identificar padrões e prever áreas de risco. Com essas informações, a OAB poderia desenvolver estratégias preventivas e interventivas mais eficazes, direcionando recursos de maneira mais estratégica e fundamentada. Além das estratégias operacionais, a proposta também enfatiza a importância da capacitação contínua dos profissionais envolvidos. A realização regular de workshops, cursos de formação e seminários sobre as prerrogativas dos advogados é vital para manter todos os envolvidos atualizados sobre as melhores práticas, novidades legislativas e técnicas de defesa eficazes. A profissionalização da defesa das prerrogativas, apoiada por uma abordagem tecnológica e analítica, marcaria um avanço significativo na maneira como a advocacia enfrenta desafios modernos, assegurando que o direito de defesa, um dos pilares do nosso sistema jurídico, seja preservado com eficácia, respeito e integridade. Baixe aqui o artigo publicado em 29/10/2024 Clique aqui PARA ACESSA O PDF Clique aqui PARA ACESSA O PDF
Potencializando a Advocacia Guarulhense

Na cidade de Guarulhos, uma questão premente vem se destacando no cenário jurídico local: a recorrente escolha de empresários e cidadãos por serviços jurídicos situados fora do município. Esse fenômeno ilustra uma lacuna significativa na estratégia de integração e visibilidade dos profissionais de direito. Este comportamento não apenas desvia recursos e oportunidades da advocacia local, mas também sinaliza uma deficiência crítica na maneira como a Subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil tem tradicionalmente se comunicado e interagido com a comunidade e o setor empresarial. A essência do problema reside na ausência de políticas eficazes que promovam uma percepção positiva e um entendimento abrangente das capacidades jurídicas disponíveis dentro de Guarulhos. Muitas vezes, isso resulta em uma subestimação dos talentos e recursos jurídicos da cidade, contribuindo para uma desvalorização contínua dos serviços oferecidos localmente. Para abordar esse desafio, propõe-se uma série de estratégias destinadas a reforçar a presença e a eficácia da advocacia guarulhense perante a comunidade empresarial e a população em geral. Estas iniciativas são projetadas não apenas para melhorar a comunicação e o marketing da competência jurídica local, mas também para fomentar uma relação mais integrada e sinérgica entre advogados e os demais setores da sociedade. A OAB local deveria promover palestras e seminários temáticos, meticulosamente organizados para abordar temas de relevância mutual entre os advogados e o setor empresarial. Tais eventos não só destacariam a expertise jurídica local, como também serviriam de ponte para a construção de um diálogo contínuo com os empresários. Esses encontros teriam o benefício adicional de educar o setor empresarial sobre os riscos legais e as soluções jurídicas que podem ser efetivamente gerenciadas dentro do próprio município. Além disso, workshops e encontros práticos seriam fundamentais para promover uma interação direta e menos formal, possibilitando que as advogadas e os advogados apresentem suas capacidades de maneira prática. Esses eventos poderiam incluir simulações de casos, discussões de estudos de caso e sessões de consultoria rápida, fornecendo exemplos tangíveis da aplicabilidade da expertise local em questões reais e imediatas que as empresas possam enfrentar. Implementar atividades sociais e comunitárias também é uma tática vital. Estas não apenas engajariam a advocacia com a comunidade de forma mais ampla, mas também ajudariam a construir uma imagem de acessibilidade e compromisso com o bem-estar social e econômico da cidade. Parcerias com instituições acadêmicas locais deveriam ser intensificadas, com o objetivo de estabelecer programas de mentoria e estágios que conectem estudantes de direito diretamente com a prática jurídica, ação que promovíamos em 2010, quando eu presidia a Comissão do Acadêmico de Direito na subseção, projeto abandonado pela atual gestão. Isso não só ajudaria a preparar melhor os futuros advogados para as necessidades do mercado local, mas também asseguraria que o conhecimento jurídico atualizado seja continuamente integrado na prática local. As campanhas de comunicação deveriam ser estrategicamente planejadas para alcançar uma ampla divulgação dos eventos e serviços jurídicos através de mídias tradicionais e digitais. A presença online, em particular, precisa ser robusta, empregando as redes sociais, blogs e até webinars para educar e informar a comunidade sobre questões legais relevantes e a disponibilidade de consultoria jurídica competente dentro do município, ações que infelizmente não são desenvolvidas nos últimos nove anos sob a direção do mesmo grupo dirigente. Com a implementação dessas estratégias, espera-se que a advocacia de Guarulhos não apenas amplie sua visibilidade e integração com o tecido econômico e social da cidade, mas também fortaleça sua posição como um pilar fundamental no suporte e desenvolvimento da comunidade local. Este é um passo essencial não apenas para o crescimento sustentável da prática jurídica em Guarulhos, mas para a própria revitalização da percepção pública da advocacia como um componente crítico da infraestrutura social e econômica da cidade. Dia 21 de novembro do corrente ano teremos eleições para a escolha dos próximos dirigentes da 57ª Subseção da OAB, é, portanto, o momento oportuno para que a advocacia Guarulhense reflita sobre a importância da alternância de poder em prol da valorização e união da classe. Baixe aqui o artigo publicado em 25/10/2024 ACESSAR MATERIA NA INTEGRA
OAB-GRU sofre com a falta de União e Descentralização

A advocacia, como profissão, exige constante adaptação e aprendizado, sempre alimentada por uma herança rica de conhecimento e tradição. No entanto, observa-se que, atualmente, a OAB Guarulhos segrega advogados seniores. Esses profissionais, que dedicaram suas carreiras à prática jurídica e à defesa dos valores éticos da advocacia, têm sido muitas vezes negligenciados nos programas da subseção. Isso cria um ambiente onde não se valoriza adequadamente o papel crucial que desempenharam e ainda podem desempenhar no fortalecimento da profissão. A exclusão desses profissionais mais experientes priva os jovens da oportunidade de se beneficiarem de mentorias e da transmissão de práticas jurídicas que, historicamente, são passadas de geração para geração. Esse distanciamento compromete o desenvolvimento técnico dos novos profissionais e afeta a continuidade de um padrão de excelência que caracteriza a advocacia brasileira. A falta de integração entre as gerações prejudica o equilíbrio e a evolução da profissão, pois cada geração traz contribuições valiosas que devem ser compartilhadas em um ambiente de respeito mútuo. O futuro da advocacia está nas mãos da nova geração, mas ela não pode prosperar sem a orientação dos veteranos. A criação de programas que incentivem o compartilhamento de conhecimentos entre advogados experientes e a jovem advocacia deve ser uma prioridade de qualquer gestão que verdadeiramente deseje valorizar a profissão. A exclusão, no entanto, não se limita às gerações mais antigas. A OAB Guarulhos enfrenta desafios na inclusão de advogados de regiões descentralizadas. Embora tenha havido expansão física, com novas instalações, esses profissionais frequentemente sentem que a OAB está distante de suas realidades. A criação de estruturas físicas, sem ações que promovam a integração e o engajamento, reforça a percepção de uma OAB elitista, cujas iniciativas não refletem as necessidades de uma advocacia inclusiva. É necessário que a OAB Guarulhos desenvolva uma estratégia que vá além das instalações, promovendo o fortalecimento dos vínculos com esses profissionais. Eventos, palestras e workshops que envolvam não só advogados, mas também o empresariado local, podem valorizar esses profissionais em seus territórios. Isso demonstra que a OAB está comprometida em promover a advocacia em todas as suas dimensões. Para implementar essas diretrizes, algumas medidas são essenciais. Um mapeamento das necessidades dos advogados descentralizados deve ser o primeiro passo, para que as ações de integração atendam às demandas específicas. Além disso, as novas estruturas físicas devem ser equipadas com recursos que facilitem a prática jurídica e o acesso a serviços da OAB. A formação de parcerias com entidades locais também é uma estratégia eficaz. Ao se unir a associações empresariais e comerciais, a OAB Guarulhos pode promover sinergias que beneficiem a advocacia local, tornando os advogados dessas regiões mais visíveis em suas comunidades. É importante que essas novas estruturas sejam acompanhadas de planejamento de atividades regulares, garantindo a utilização plena dos espaços e a integração dos advogados. Essas ações podem transformar a promessa de inclusão em uma realidade tangível, promovendo uma advocacia democrática e acessível. A união entre gerações e a inclusão de advogados descentralizados são fundamentais para o futuro da OAB Guarulhos. Somente com uma gestão comprometida com o fortalecimento da profissão e com a valorização de todos os seus membros, poderemos garantir uma advocacia forte, ética e respeitada. Baixe aqui o artigo publicado em 22/10/2024 ACESSAR MATERIA NA INTEGRA Clique aqui PARA ACESSA O PDF ACESSAR MATERIA NA INTEGRA Clique aqui PARA ACESSA O PDF
Acessibilidade é um Direito, Não uma Opção!

No último domingo, 06/10, o advogado Roberto Barbieri Vaz, deficiente visual, vivenciou uma situação inaceitável que levanta questões preocupantes sobre a acessibilidade de pessoas com deficiência em nosso país, foi impedido de votar nas eleições municipais para Prefeito e Vereadores em Guarulhos, por falhas no treinamento dos mesários e devido a falta de orientação adequada de como utilizar o sistema de fone de ouvido. Roberto perdeu seu direito de voto, um dos pilares fundamentais da democracia, tendo sido privado de exercer seu papel de cidadão em um processo eleitoral que deveria garantir a inclusão e a igualdade para todos, independentemente de suas limitações físicas. O caso do Dr. Roberto é um retrato nítido de um problema maior e sistêmico: a falta de inclusão efetiva para pessoas com deficiência em diversas esferas da sociedade, inclusive na advocacia. Não se trata apenas de um incidente isolado, mas de uma situação que se repete de forma recorrente, afetando milhares de eleitores com deficiência em todo o Brasil. Quando falamos de acessibilidade nas urnas, é essencial que haja um preparo adequado dos profissionais envolvidos no processo eleitoral, bem como a disponibilização de ferramentas eficazes que permitam o voto de maneira digna e independente. Neste caso específico, a falta de treinamento dos mesários para o uso do sistema de fones de ouvido adaptado para deficientes visuais resultou na perda de um voto, e com ele, um pedaço da democracia foi subtraído. O cenário das eleições municipais em Guarulhos é apenas um reflexo de um problema maior que também atinge a advocacia. Roberto, como advogado deficiente visual, enfrenta dificuldades diárias no exercício de sua profissão, e a OAB Guarulhos, órgão responsável por defender os interesses e direitos da classe, tem falhado em garantir a estrutura necessária para que advogados com deficiência possam desempenhar suas funções com autonomia e dignidade. Roberto não é o único a enfrentar essas barreiras. Outros advogados com deficiência, seja ela visual, auditiva, motora ou de qualquer outra natureza, sofrem com a falta de acessibilidade em um campo de trabalho que deveria ser exemplar na promoção dos direitos humanos e na defesa da igualdade. A inércia da OAB Guarulhos em implementar projetos de inclusão voltados para esses profissionais reforça a marginalização de uma parte significativa da classe advocatícia, que é deixada à própria sorte em um ambiente jurídico que não está preparado para acolhê-los plenamente. A OAB precisa investir em ferramentas tecnológicas que auxiliem advogados com deficiência visual no exercício de sua profissão. Sistemas de leitura de documentos em áudio, plataformas digitais acessíveis e programas de software adaptados são fundamentais para que esses profissionais possam desempenhar suas funções com autonomia. A promoção de campanhas de conscientização e a oferta de treinamentos sobre inclusão são essenciais para que a classe advocatícia compreenda a importância da acessibilidade. Esses programas também devem atingir os funcionários de tribunais e fóruns, garantindo que todos estejam preparados para lidar com advogados com deficiência de forma adequada e respeitosa. É urgente que a OAB Guarulhos, em parceria com o poder público, promova a adaptação dos prédios dos fóruns e dos tribunais, tornando-os acessíveis para advogados com limitações físicas. Rampas, elevadores e sinalizações em braile são apenas algumas das medidas que precisam ser adotadas. A OAB Guarulhos tem a oportunidade de liderar essa mudança, promovendo políticas inclusivas que permitam a todos os advogados, independentemente de suas condições físicas, desempenharem seu papel com dignidade. Não podemos mais permitir que barreiras de acessibilidade continuem excluindo profissionais valiosos. A inclusão não é um favor, é um direito. Baixe aqui o artigo publicado em 09/10/2024 ACESSAR MATERIA NA INTEGRA Clique aqui PARA ACESSA O PDF ACESSAR MATERIA NA INTEGRA Clique aqui PARA ACESSA O PDF
A 57ª Subseção da OAB Guarulhos completa 48 anos

No longínquo dia 29 de julho de 1976, uma quinta-feira marcada pela esperança e pelo espírito de renovação, 21 advogados de Guarulhos subscreveram um requerimento endereçado à Seccional Paulista da OAB. Esse ato, embora simples, foi o sopro inicial para o que se tornaria a nossa estimada 57ª Subseção – Guarulhos. Entre os notáveis signatários desse pedido estavam figuras como José Ribamar Matos da Silva, Gasparino José Romão e Milton Mesquita, cujos esforços e dedicação são lembrados até hoje com grande respeito e admiração. Após a aprovação do requerimento em uma sessão do Conselho Seccional em 14 de setembro de 1976, presidida por Cida Vieira de Souza, nossa subseção foi oficialmente estabelecida, criando um marco para a advocacia na região de Guarulhos. Desde então, a subseção tem sido uma fortaleza de defesa dos direitos, justiça e integridade, crescente em membros e em importância. Hoje, completando 48 anos após sua fundação, a subseção se orgulha de representar quase 8 mil advogados, cada um contribuindo para o legado de seus fundadores. Desde o ano de 2001, tenho tido a honra de contribuir para os trabalhos dessa subseção. Comecei integrando a comissão de direitos humanos, uma experiência que me moldou profundamente como advogado e como pessoa, me permitindo atuar na linha de frente da luta pela justiça social e direitos fundamentais de 2001 até o ano de 2009. Foi essa experiência que me motivou a sugerir, em 2010, a criação da Comissão do Acadêmico de Direito ao presidente Fábio de Souza Santos, uma iniciativa que posteriormente foi acolhida e implementada, me conferindo a honra de ser seu primeiro presidente. Nos anos subsequentes, expandi minha atuação para o IV Tribunal de Ética e Disciplina e para a Comissão de Prerrogativas. Entre 2016 e 2018, assumi a liderança do Departamento Cultural da subseção e, posteriormente como assessor da presidência para assuntos universitários. No triênio de 2019 a 2021, fui eleito Conselheiro Estadual da OAB/SP, tendo participado ativamente na implementação de políticas inclusivas, como a paridade de gênero e a cota racial nas eleições, medidas essas que refletem nosso compromisso contínuo com a igualdade e justiça. Além das políticas de inclusão, nossa gestão foi pioneira em várias frentes, como na isenção da anuidade para mulheres advogadas durante o ano de maternidade, seja biológica ou adotiva, e na criação de um auxílio financeiro para advogadas vítimas de violência doméstica. Durante a crise da pandemia, a subseção mobilizou recursos para prover mais de 50.000 auxílios alimentação a advogados necessitados, demonstrando uma preocupação real e efetiva com o bem-estar da nossa classe. No entanto, apesar dos avanços, enfrentamos desafios cruciais. Muitos advogados veteranos sentem-se marginalizados, expressando a necessidade de maior acolhimento e reconhecimento por parte da subseção. Paralelamente, os jovens advogados frequentemente relatam uma falta significativa de suporte nos passos iniciais de suas carreiras, uma questão que precisa ser abordada com urgência para garantir a renovação e continuidade da nossa profissão. Essa realidade sublinha a imperiosa necessidade de alternância no poder dentro da nossa subseção. A alternância não apenas revitaliza a instituição com novas ideias e energia, mas também assegura que todas as vozes sejam ouvidas e que nenhuma parte da nossa comunidade se sinta excluída ou estagnada. Ao refletirmos sobre a trajetória da 57ª Subseção da OAB Guarulhos neste aniversário, é vital celebrarmos as conquistas passadas e as figuras que pavimentaram nosso caminho. Contudo, também devemos olhar para frente com a determinação de implementar mudanças que abracem a inclusão, a renovação e o respeito mútuo. Que este marco seja um convite ao diálogo e à reflexão sobre como podemos, juntos, construir um futuro ainda mais justo e representativo para todos os advogados de Guarulhos. Baixe aqui o artigo publicado em 17/09/2024 ACESSAR MATERIA NA INTEGRA Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA ACESSAR MATERIA NA INTEGRA Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA
Descompasso entre promessas eleitorais e a realidade da OAB Guarulhos

A advocacia, muitas vezes idealizada como o baluarte da justiça e da defesa dos direitos, enfrenta um cenário de crescente insatisfação entre seus membros Refletir sobre o atual estado da advocacia é essencial para entender o impacto que as estruturas institucionais e o mercado de trabalho exercem sobre a prática jurídica. A advocacia, muitas vezes idealizada como o baluarte da justiça e da defesa dos direitos, enfrenta um cenário de crescente insatisfação entre seus membros. É um momento que pede não apenas a análise dos problemas, mas também a proposição de soluções que possam resgatar a dignidade e a relevância da profissão, especialmente em um contexto como o de Guarulhos, onde as demandas da classe parecem se multiplicar. Ao analisar o Perfil da Advocacia Brasileira, traçado pela FGV em conjunto com OAB, fica claro que há uma série de questões críticas que afetam diretamente o exercício da profissão. Embora a advocacia seja considerada um pilar essencial na administração da justiça, os advogados convivem diariamente com insatisfações que comprometem sua atuação plena. Esse cenário de insatisfação é reforçado por outros dados alarmantes, expressivo número de advogados tem que recorrer a outras atividades profissionais para complementar a renda, o que evidencia o descompasso entre a idealização da advocacia e a realidade econômica da profissão. A renda, de parte da advocacia é de até dois salários-mínimos, sendo que, a grande maioria varia entre dois e seis salários-mínimos, quantia insuficiente para muitos dos custos e responsabilidades que envolvem o exercício pleno da advocacia. Essa precariedade econômica gera um sentimento de desvalorização, que ecoa não apenas na renda, mas também no reconhecimento social e institucional da importância do trabalho advocatício. No que se refere à pluralidade de gênero e raça, há avanços, mas ainda permeados por disparidades. A advocacia feminina, embora em crescimento, enfrenta barreiras que limitam sua ascensão e reconhecimento. Obstáculos como a concorrência com as responsabilidades familiares e o menor reconhecimento em comparação aos colegas homens dificultam a igualdade de condições na carreira. Do ponto de vista racial, o cenário é ainda mais preocupante: a sub-representação de advogados negros revela uma desigualdade estrutural que persiste, com poucos avanços no que tange ao acesso e à ascensão na carreira jurídica. Outro ponto que merece destaque é o desrespeito às prerrogativas dos advogados, uma reclamação recorrente entre os profissionais. Muitos relatam que as garantias processuais, que deveriam ser salvaguardadas pela legislação, não são respeitadas na prática, o que mina a confiança na justiça e cria um ambiente hostil para o exercício da defesa. Essas reflexões ganham uma dimensão ainda mais crítica ao analisarmos o contexto específico de Guarulhos – uma das maiores subseções do Estado de São Paulo – e o plano de governo da OAB local, apresentado nas últimas eleições. O grande problema aqui reside na inércia da implementação das propostas, que foram amplamente divulgadas, mas raramente executadas de forma eficiente. A promessa de descentralizar a OAB, tornando-a mais presente nos bairros, não foi cumprida de maneira satisfatória, sendo que agora faltando meses do término do mandato prometem inaugurar um singelo polo periférico. Guarulhos, como uma das maiores cidades do país, demanda uma atuação mais próxima e proativa, especialmente em regiões afastadas do centro, onde os advogados muitas vezes se sentem isolados da entidade que deveria representá-los. Além disso, ferramentas tecnológicas que facilitariam o dia a dia dos advogados, como o app de prerrogativas, o ranking OAB+ ativa, e o OAB MEDE (jurimetria), foram prometidas, mas não implementadas de forma satisfatória e eficaz. A falta de um programa permanente e eficaz de apoio tecnológico, que poderia auxiliar os advogados no uso de plataformas digitais como PJE e E-SAJ, agrava ainda mais a situação, deixando os profissionais desamparados em um cenário cada vez mais digitalizado e complexo. No que tange à promessa de integração e descentralização, a criação de polos regionais e encontros de advogados nos bairros, embora iniciada, não se mostrou eficaz. O apoio prometido aos advogados audiencistas e corporativos, por exemplo, não atingiu seus objetivos. A promessa de capacitação para estagiários e secretárias, de igual forma não produziu efeitos, provando assim, que continua havendo um distanciamento entre a realidade dos advogados e as promessas eleitorais da gestão atual da OAB. As prerrogativas, que deveriam ser uma prioridade para a entidade, também não receberam o foco necessário. Embora tenha sido mantido o plantão 24 horas, as ações da área foram limitadas, havendo relatos de denuncias que o presidente de determinada comissão, sequer encaminhou para providencias da prerrogativa. Por fim, a diversidade e a inclusão digital também são questões que merecem críticas. As campanhas de igualdade racial e de gênero e a criação do programa + Mulheres na OAB foram passos importantes, mas sua eficácia foi restrita. É necessário que a OAB vá além de campanhas e crie condições concretas para que essas questões sejam efetivamente enfrentadas e superadas, especialmente no que tange à inclusão digital, uma ferramenta crucial para a advocacia sênior que enfrenta dificuldades com o uso de novas tecnologias. Após nove anos de gestão, é claro que a OAB Guarulhos não realizou boa parte de suas metas, o que coloca em dúvida a eficácia da liderança atual. A alternância de poder é uma solução inevitável nesse cenário. Novas lideranças, com novas ideias e uma abordagem mais conectada às necessidades dos advogados, podem trazer a renovação que a advocacia guarulhense tanto precisa. É fundamental que a OAB se reconecte com seus membros, entenda seus desafios e ofereça as ferramentas necessárias para superá-los. Somente com essa renovação será possível resgatar a dignidade e relevância da OAB Guarulhos, garantindo à classe a valorização que tanto almeja e merece. Baixe aqui o artigo publicado em 13/09/2024 Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA
Gravações do PodCast “Reflexões Jurídicas” com grandes lideranças da advocacia guarulhense, Nilton Nunes e Hugo Mesquita
Novo episódio do PodCast Reflexões Jurídicas com Dr. Alexandre Ramos
De volta aos estúdios para a gravação de mais um episódio do PodCast Reflexões Jurídicas
Dr. Cristiano com o ex-presidente Michel Temer