Por unanimidade, os 42 conselheiros que compõem a Segunda Câmara do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) mantiveram a cassação do registro de Jairo Souza Santos Junior, o Dr. Jairnho, durante plenária na tarde de terça- -feira, (18). Jairinho tinha entrado com recurso devido à sentença anterior de cassação do seu registro profi ssional. O pedido foi apreciado pelos conselheiros e não foi acolhido. De acordo com os conselheiros, as ações do ex-vereador e médico eram incompatíveis com a ética médica e uma grave violação dos princípios fundamentais da profi ssão. A cassação do registro “é a punição mais alta, de acordo com a legislação vigente.” Com esta decisão, no Cremerj não cabe mais recurso, mas Jairinho ainda poderá recorrer da medida junto ao Conselho Federal de Medicina (CFM), em Brasília. A decisão foi tomada com base nas provas produzidas no procedimento administrativo, concluindo-se que as ações de Jairo eram incompatíveis com a ética médica e representavam uma grave violação dos princípios fundamentais da profi ssão. O tribunal considerou inaceitável o fato de Jairo não ter realizado tentativas de reanimação em Henry Borel, bem como sua conduta de tentar impedir que o corpo da vítima fosse periciado pelo Instituto Médico Legal (IML). A simples intenção de causar mal a uma criança é totalmente incompatível com o exercício da medicina, foi destacado pelo colegiado. As teses da defesa foram rechaçadas pelos julgadores, já que o conjunto probatório é contundente e demonstra que Jairo foi o autor das torturas e do homicídio de Henry Borel. Jairo empreendeu esforços intensos para ocultar seus atos, negando socorro imediato à criança, manipulando informações fornecidas às médicas que prestaram atendimento de emergência, além de tentar evitar que o corpo fosse encaminhado ao IML. “A decisão do colegiado, reafi rma o compromisso do Tribunal Regional do CRM/RJ em zelar pela integridade e excelência da prática médica, repudiando veementemente qualquer conduta que atente contra a vida e a dignidade humana. A exclusão de Jairo Souza Santos Junior dos quadros do CRM reforça a postura de rigor ético e responsabilidade profi ssional que deve prevalecer em todas as atividades médicas exercidas no Brasil”, diz o advogado criminalista Cristiano Medina da Rocha, assistente de acusação do caso. Jairinho é acusado pela morte do enteado Henry Borel, de 4 anos de idade, que aconteceu no dia 8 de março de 2021. A mãe do menino, Monique Medeiros de Almeida, que era companheira de Jairinho, também responde pelo crime de homicídio.
