Medina da Rocha – Advogados Associados

A 57ª Subseção da OAB Guarulhos completa 48 anos

No longínquo dia 29 de julho de 1976, uma quinta-feira marcada pela esperança e pelo espírito de renovação, 21 advogados de Guarulhos subscreveram um requerimento endereçado à Seccional Paulista da OAB. Esse ato, embora simples, foi o sopro inicial para o que se tornaria a nossa estimada 57ª Subseção – Guarulhos. Entre os notáveis signatários desse pedido estavam figuras como José Ribamar Matos da Silva, Gasparino José Romão e Milton Mesquita, cujos esforços e dedicação são lembrados até hoje com grande respeito e admiração. Após a aprovação do requerimento em uma sessão do Conselho Seccional em 14 de setembro de 1976, presidida por Cida Vieira de Souza, nossa subseção foi oficialmente estabelecida, criando um marco para a advocacia na região de Guarulhos. Desde então, a subseção tem sido uma fortaleza de defesa dos direitos, justiça e integridade, crescente em membros e em importância. Hoje, completando 48 anos após sua fundação, a subseção se orgulha de representar quase 8 mil advogados, cada um contribuindo para o legado de seus fundadores. Desde o ano de 2001, tenho tido a honra de contribuir para os trabalhos dessa subseção. Comecei integrando a comissão de direitos humanos, uma experiência que me moldou profundamente como advogado e como pessoa, me permitindo atuar na linha de frente da luta pela justiça social e direitos fundamentais de 2001 até o ano de 2009. Foi essa experiência que me motivou a sugerir, em 2010, a criação da Comissão do Acadêmico de Direito ao presidente Fábio de Souza Santos, uma iniciativa que posteriormente foi acolhida e implementada, me conferindo a honra de ser seu primeiro presidente. Nos anos subsequentes, expandi minha atuação para o IV Tribunal de Ética e Disciplina e para a Comissão de Prerrogativas. Entre 2016 e 2018, assumi a liderança do Departamento Cultural da subseção e, posteriormente como assessor da presidência para assuntos universitários. No triênio de 2019 a 2021, fui eleito Conselheiro Estadual da OAB/SP, tendo participado ativamente na implementação de políticas inclusivas, como a paridade de gênero e a cota racial nas eleições, medidas essas que refletem nosso compromisso contínuo com a igualdade e justiça. Além das políticas de inclusão, nossa gestão foi pioneira em várias frentes, como na isenção da anuidade para mulheres advogadas durante o ano de maternidade, seja biológica ou adotiva, e na criação de um auxílio financeiro para advogadas vítimas de violência doméstica. Durante a crise da pandemia, a subseção mobilizou recursos para prover mais de 50.000 auxílios alimentação a advogados necessitados, demonstrando uma preocupação real e efetiva com o bem-estar da nossa classe. No entanto, apesar dos avanços, enfrentamos desafios cruciais. Muitos advogados veteranos sentem-se marginalizados, expressando a necessidade de maior acolhimento e reconhecimento por parte da subseção. Paralelamente, os jovens advogados frequentemente relatam uma falta significativa de suporte nos passos iniciais de suas carreiras, uma questão que precisa ser abordada com urgência para garantir a renovação e continuidade da nossa profissão. Essa realidade sublinha a imperiosa necessidade de alternância no poder dentro da nossa subseção. A alternância não apenas revitaliza a instituição com novas ideias e energia, mas também assegura que todas as vozes sejam ouvidas e que nenhuma parte da nossa comunidade se sinta excluída ou estagnada. Ao refletirmos sobre a trajetória da 57ª Subseção da OAB Guarulhos neste aniversário, é vital celebrarmos as conquistas passadas e as figuras que pavimentaram nosso caminho. Contudo, também devemos olhar para frente com a determinação de implementar mudanças que abracem a inclusão, a renovação e o respeito mútuo. Que este marco seja um convite ao diálogo e à reflexão sobre como podemos, juntos, construir um futuro ainda mais justo e representativo para todos os advogados de Guarulhos.   Baixe aqui o artigo publicado em 17/09/2024 ACESSAR MATERIA NA INTEGRA Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA ACESSAR MATERIA NA INTEGRA Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA

Descompasso entre promessas eleitorais e a realidade da OAB Guarulhos

A advocacia, muitas vezes idealizada como o baluarte da justiça e da defesa dos direitos, enfrenta um cenário de crescente insatisfação entre seus membros Refletir sobre o atual estado da advocacia é essencial para entender o impacto que as estruturas institucionais e o mercado de trabalho exercem sobre a prática jurídica. A advocacia, muitas vezes idealizada como o baluarte da justiça e da defesa dos direitos, enfrenta um cenário de crescente insatisfação entre seus membros. É um momento que pede não apenas a análise dos problemas, mas também a proposição de soluções que possam resgatar a dignidade e a relevância da profissão, especialmente em um contexto como o de Guarulhos, onde as demandas da classe parecem se multiplicar. Ao analisar o Perfil da Advocacia Brasileira, traçado pela FGV em conjunto com OAB, fica claro que há uma série de questões críticas que afetam diretamente o exercício da profissão. Embora a advocacia seja considerada um pilar essencial na administração da justiça, os advogados convivem diariamente com insatisfações que comprometem sua atuação plena. Esse cenário de insatisfação é reforçado por outros dados alarmantes, expressivo número de advogados tem que recorrer a outras atividades profissionais para complementar a renda, o que evidencia o descompasso entre a idealização da advocacia e a realidade econômica da profissão. A renda, de parte da advocacia é de até dois salários-mínimos, sendo que, a grande maioria varia entre dois e seis salários-mínimos, quantia insuficiente para muitos dos custos e responsabilidades que envolvem o exercício pleno da advocacia. Essa precariedade econômica gera um sentimento de desvalorização, que ecoa não apenas na renda, mas também no reconhecimento social e institucional da importância do trabalho advocatício. No que se refere à pluralidade de gênero e raça, há avanços, mas ainda permeados por disparidades. A advocacia feminina, embora em crescimento, enfrenta barreiras que limitam sua ascensão e reconhecimento. Obstáculos como a concorrência com as responsabilidades familiares e o menor reconhecimento em comparação aos colegas homens dificultam a igualdade de condições na carreira. Do ponto de vista racial, o cenário é ainda mais preocupante: a sub-representação de advogados negros revela uma desigualdade estrutural que persiste, com poucos avanços no que tange ao acesso e à ascensão na carreira jurídica. Outro ponto que merece destaque é o desrespeito às prerrogativas dos advogados, uma reclamação recorrente entre os profissionais. Muitos relatam que as garantias processuais, que deveriam ser salvaguardadas pela legislação, não são respeitadas na prática, o que mina a confiança na justiça e cria um ambiente hostil para o exercício da defesa. Essas reflexões ganham uma dimensão ainda mais crítica ao analisarmos o contexto específico de Guarulhos – uma das maiores subseções do Estado de São Paulo – e o plano de governo da OAB local, apresentado nas últimas eleições. O grande problema aqui reside na inércia da implementação das propostas, que foram amplamente divulgadas, mas raramente executadas de forma eficiente. A promessa de descentralizar a OAB, tornando-a mais presente nos bairros, não foi cumprida de maneira satisfatória, sendo que agora faltando meses do término do mandato prometem inaugurar um singelo polo periférico. Guarulhos, como uma das maiores cidades do país, demanda uma atuação mais próxima e proativa, especialmente em regiões afastadas do centro, onde os advogados muitas vezes se sentem isolados da entidade que deveria representá-los. Além disso, ferramentas tecnológicas que facilitariam o dia a dia dos advogados, como o app de prerrogativas, o ranking OAB+ ativa, e o OAB MEDE (jurimetria), foram prometidas, mas não implementadas de forma satisfatória e eficaz. A falta de um programa permanente e eficaz de apoio tecnológico, que poderia auxiliar os advogados no uso de plataformas digitais como PJE e E-SAJ, agrava ainda mais a situação, deixando os profissionais desamparados em um cenário cada vez mais digitalizado e complexo. No que tange à promessa de integração e descentralização, a criação de polos regionais e encontros de advogados nos bairros, embora iniciada, não se mostrou eficaz. O apoio prometido aos advogados audiencistas e corporativos, por exemplo, não atingiu seus objetivos. A promessa de capacitação para estagiários e secretárias, de igual forma não produziu efeitos, provando assim, que continua havendo um distanciamento entre a realidade dos advogados e as promessas eleitorais da gestão atual da OAB. As prerrogativas, que deveriam ser uma prioridade para a entidade, também não receberam o foco necessário. Embora tenha sido mantido o plantão 24 horas, as ações da área foram limitadas, havendo relatos de denuncias que o presidente de determinada comissão, sequer encaminhou para providencias da prerrogativa. Por fim, a diversidade e a inclusão digital também são questões que merecem críticas. As campanhas de igualdade racial e de gênero e a criação do programa + Mulheres na OAB foram passos importantes, mas sua eficácia foi restrita. É necessário que a OAB vá além de campanhas e crie condições concretas para que essas questões sejam efetivamente enfrentadas e superadas, especialmente no que tange à inclusão digital, uma ferramenta crucial para a advocacia sênior que enfrenta dificuldades com o uso de novas tecnologias. Após nove anos de gestão, é claro que a OAB Guarulhos não realizou boa parte de suas metas, o que coloca em dúvida a eficácia da liderança atual. A alternância de poder é uma solução inevitável nesse cenário. Novas lideranças, com novas ideias e uma abordagem mais conectada às necessidades dos advogados, podem trazer a renovação que a advocacia guarulhense tanto precisa. É fundamental que a OAB se reconecte com seus membros, entenda seus desafios e ofereça as ferramentas necessárias para superá-los. Somente com essa renovação será possível resgatar a dignidade e relevância da OAB Guarulhos, garantindo à classe a valorização que tanto almeja e merece. Baixe aqui o artigo publicado em 13/09/2024 Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA

A importância da prevenção ao suicídio e a valorização da vida

O mês de setembro carrega uma cor e um propósito especial no Brasil: o amarelo, que simboliza a campanha de prevenção ao suicídio. Desde 2015, o Setembro Amarelo tem promovido uma conscientização crescente sobre a necessidade de discutirmos abertamente um tema que, por muito tempo, foi cercado de tabus e estigmas: o suicídio. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o suicídio é uma das principais causas de morte em todo o mundo. A cada 40 segundos, uma pessoa tira a própria vida, o que corresponde a quase 800 mil mortes por ano. No Brasil, o cenário é igualmente alarmante: o Ministério da Saúde revela que cerca de 14 mil brasileiros cometem suicídio anualmente, colocando o país entre os dez com maior número absoluto de mortes dessa natureza. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio já figura como uma das principais causas de morte no país. Esses números, por si só, já deveriam ser suficientes para nos fazer refletir. Mas a questão vai além das estatísticas: trata-se de compreender que cada número representa uma vida que se perdeu em um momento de sofrimento extremo. São histórias interrompidas, famílias destruídas e um profundo impacto em toda a sociedade. A prevenção do suicídio não é uma tarefa simples, mas também não é impossível. Ela começa com a sensibilização e a quebra do silêncio. Por muito tempo, falar sobre suicídio foi considerado um tabu. Acreditava-se que discutir o tema poderia incentivar comportamentos suicidas, mas pesquisas recentes mostram exatamente o contrário. Falar abertamente sobre o assunto, de forma cuidadosa e informada, ajuda a desmistificar o suicídio e oferece às pessoas que estão sofrendo a possibilidade de buscarem ajuda. A campanha do Setembro Amarelo, nesse contexto, desempenha um papel crucial. Ela visa conscientizar a população sobre os sinais de alerta, os fatores de risco e a importância de um apoio emocional eficaz. E esse apoio deve vir de todos os lados: família, amigos, escolas, empresas, profissionais de saúde e governo. Não se trata apenas de uma responsabilidade individual, mas de um compromisso coletivo. O suicídio raramente acontece de forma abrupta. Em muitos casos, as pessoas que passam por esse tipo de sofrimento dão sinais de que algo não está bem. São mudanças de comportamento que, muitas vezes, passam despercebidas ou são minimizadas. Entre os sinais de alerta mais comuns, destacamos o isolamento social, mudanças de humor, perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, frases como “não aguento mais” ou “queria desaparecer” devem ser levadas a sério. Elas podem ser pedidos de ajuda disfarçados. A empatia e a atenção são ferramentas poderosas na prevenção ao suicídio. Estar disponível para ouvir sem julgar, oferecer um ombro amigo e incentivar a busca por ajuda profissional são gestos que podem salvar vidas. Setembro Amarelo não é apenas uma campanha, mas um convite para refletirmos sobre a nossa responsabilidade coletiva em cuidar da saúde mental e emocional uns dos outros. Afinal, a vida é uma dádiva, e juntos podemos fazer a diferença. Baixe aqui o artigo publicado em 10/09/2024 Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA

STJ confirma julgamento de Monique e Jairo pelo júri popular no caso Henry Borel

No intricado caminho judicial que se desenrola em torno do trágico caso de Henry Borel, criança de apenas quatro anos de idade, as etapas legais e decisões judiciais têm sido marcadas por momentos significativos e reviravoltas processuais em prol da acusação. O caso envolve Monique Medeiros da Costa e Silva de Almeida e Jairo Souza Santos Júnior, acusados de crimes extremamente graves, que chocaram a sociedade brasileira, e culminou com a morte agônica de indefesa criança. Inicialmente, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro confirmou a pronúncia dos réus, uma decisão crucial que manteve seus encaminhamentos para enfrentar julgamento pelo júri popular pelos crimes descritos na acusação. Este julgamento é reservado para casos que envolvem crimes dolosos contra a vida, oportunidade que a sociedade poderá julgar os assassinos. A acusação, que reverbera as vozes de indignação e demanda por justiça da família e comunidade, alega que os réus estiveram diretamente envolvidos em atos de violência e tortura que culminaram na morte do jovem Henry Borel. Após a decisão do TJ-RJ, os advogados de Monique e Jairo buscaram reverter esta situação por meio de recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça, que teve seu seguimento negado pelo tribunal de segunda instância. As defesas agravaram da decisão e buscaram o acolhimento pelo STJ, alegando uma série de erros processuais e questões técnicas que, segundo eles, poderiam invalidar o encaminhamento ao júri. Dentre os argumentos apresentados estavam a quebra da cadeia de custódia das provas e supostas falhas na investigação policial e na condução do processo judicial. Essas alegações visavam tanto a reforma da decisão de pronúncia quanto, a anulação do processo, o que efetivamente os removeria da iminência de um julgamento pelo júri popular. No entanto, em 28 de agosto de 2024, o STJ, sob a relatoria do Ministro Messod Azulay Neto, adotou decisões certeiras que mantiveram o curso da justiça conforme delineado pelo TJ-RJ. O STJ analisou os recursos e agravos apresentados pela defesa e decidiu não acolher as teses defensivas. Quanto ao recurso de Monique, o Ministro não conheceu do agravo em recurso especial. No tocante ao recurso de Jairo, conheceu do agravo para conhecer em parte do recurso especial, e, nesta extensão, foi negado provimento. A Corte Superior concluiu que as impugnações específicas dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial não foram devidamente apresentadas pela defesa de Monique, que falhou em contestar de forma abrangente e específica as bases da decisão de inadmissibilidade. Similarmente, as alegações de Jairo não conseguiram demonstrar fundamentos que justificasse a revisão da decisão pelo STJ. Além disso, o STJ reforçou que a análise de tais alegações, como a quebra da cadeia de custódia, exigiria uma reavaliação das provas, prática que não se alinha com as funções do STJ, uma vez que tal análise é reservada para as instâncias inferiores, a menos que se comprove um erro de direito claro e indiscutível que possa ter influenciado na decisão do caso, o que não ocorreu. Assim, as decisões do STJ reiteraram a legitimidade e a correção dos procedimentos e julgamentos anteriores, confirmando a pronúncia de Monique e Jairo para julgamento pelo júri popular. Ao manter Monique e Jairo no caminho para o julgamento pelo júri popular, o STJ não só honra a memória de Henry Borel, mas também assegura que a justiça seja buscada de maneira transparente e imparcial, permitindo que a sociedade confie no sistema de justiça do país. Com a decisão do STJ de manter o curso do processo, o caminho está aberto para que o caso seja definitivamente julgado pelo Tribunal do Júri, onde os réus enfrentarão a acusação perante um corpo de jurados composto por cidadãos comuns. Este é um aspecto fundamental do sistema judicial brasileiro em casos de crimes dolosos contra a vida, como o homicídio, que reforça a participação da sociedade na administração da justiça. O julgamento pelo júri popular serve como uma das mais democráticas expressões judiciais, colocando a decisão final nas mãos do povo, o que aumenta a legitimidade e a aceitação das decisões judiciais pela comunidade. À medida que o caso avança para o julgamento pelo júri popular, as famílias envolvidas, especialmente os parentes de Henry Borel, bem como a sociedade em geral, aguardam com expectativa a conclusão deste trágico episódio. O julgamento oferece uma oportunidade para a sociedade refletir sobre as questões mais amplas relacionadas à violência contra crianças e os mecanismos de proteção disponíveis para os mais vulneráveis. É uma chance para o sistema judicial não só aplicar a lei, mas também promover mudanças sociais positivas, fortalecendo as instituições e práticas que protegem os direitos das crianças. Conforme o caso progride para as etapas finais de julgamento, permanece a esperança de que a justiça seja alcançada de forma completa e definitiva, honrando a memória da jovem vítima e assegurando que tais tragédias sejam prevenidas no futuro. Baixe aqui o artigo publicado em 06/09/2024 Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA

Escuta ilegal gera absolvição de grupo acusado de comandar bingos em SP

Um grupo acusado de comandar casas de jogos ilegais em São Paulo e Guarulhos (SP) mediante corrupção de policiais e lavagem de dinheiro foi absolvido por falta de comprovação da materialidade dos crimes. O juiz Guilherme Eduardo Martins Kellner, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores de São Paulo, reconheceu que a investigação do Ministério Público contra a suposta organização criminosa teve origem em interceptações telefônicas feitas sem autorização judicial. Por causa disso, o conteúdo e as provas obtidas a partir dessas escutas ilegais foram anulados, tendo sido aplicada ao caso a teoria dos frutos da árvore envenenada, que, segundo o magistrado, “visa proteger o devido processo legal e assegurar que a justiça não seja comprometida por práticas ilegais na coleta de evidências”. Falta de materialidade Restaram, entre as provas válidas, apenas uma denúncia anônima e um procedimento investigatório criminal (PIC) arquivado que fazia menção a um dos réus, o que foi insuficiente para a comprovação das acusações. Além disso, dada a ausência de comprovação da materialidade da corrupção, também não se sustentou a acusação do crime de organização criminosa, o que exige a prática de infração penal com pena máxima superior a quatro anos. “A existência de casa de bingo, mesmo que ilegal, não é suficiente a atender à elementar”, destacou o juiz. Para o advogado Cristiano Medina da Rocha, que atuou em favor de um dos réus, a sentença configurou uma vitória contundente do Estado de Direito. “Essa decisão não apenas corrige uma injustiça, mas também serve como um importante alerta contra o uso de métodos ilegais na persecução penal. A justiça foi feita, e o devido processo legal foi respeitado, garantindo que a integridade dos cidadãos seja sempre protegida contra abusos.” Clique aqui para ler a sentença Processo 0047395-42.2017.8.26.0050 Baixe aqui o artigo publicado em 27/08/2024 Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA

A Luta pela Equidade na Advocacia

A advocacia brasileira, conforme retratado no primeiro estudo demográfico conduzido pela FGV em parceria com a OAB, apresenta um cenário de desigualdade profunda e alarmante, onde mulheres e negros enfrentam barreiras estruturais que minam suas oportunidades de crescimento e reconhecimento profissional. A desigualdade racial e de gênero, que permeia todas as esferas da sociedade brasileira, encontra na advocacia um reflexo nítido, expondo falhas graves que precisam ser urgentemente enfrentadas pela OAB, sob pena de perpetuar uma profissão elitista e excludente. Um dos aspectos mais preocupantes revelados pelo estudo é a gritante disparidade racial na advocacia. Embora a população negra represente a maioria no Brasil, advogadas e advogados negros e pardos somam apenas 33,32% dos inscritos na OAB, sendo 26,66% pardos e 6,66% pretos, enquanto brancos compõem 64,67% da advocacia. Essa sub-representação não é apenas um reflexo das desigualdades históricas, mas também da omissão da OAB em implementar políticas eficazes para promover a inclusão racial. A perpetuação de barreiras institucionais, como o racismo estrutural e a falta de oportunidades iguais, tem mantido advogados negros à margem da profissão, negando-lhes o acesso a posições de destaque e a remuneração justa. As mulheres, que agora são maioria na advocacia, também enfrentam desafios significativos. Apesar de representarem 51,43% dos advogados inscritos, elas continuam a ser subvalorizadas e sub-remuneradas em comparação com seus colegas homens. A disparidade salarial entre homens e mulheres na advocacia é um problema grave e persistente, que reflete uma sociedade que ainda não superou suas raízes patriarcais. A remuneração dos advogados no Brasil é outro ponto crítico que deve ser abordado com urgência. O estudo revela que 45% dos advogados ganham remuneração que está longe de ser compatível com o nível de qualificação e responsabilidade exigido pela profissão. Esta situação é ainda mais crítica para advogados negros e mulheres, que, além de enfrentarem discriminação, são muitas vezes relegados a posições menos prestigiadas e menos remuneradas. A baixa remuneração não apenas desvaloriza a profissão, mas também desmotiva novos profissionais, que entram na carreira com grandes expectativas, mas logo se deparam com uma realidade de precariedade e falta de reconhecimento. A OAB, enquanto entidade representativa dos advogados, tem falhado em sua missão de proteger e valorizar a profissão, necessitando rever urgentemente suas políticas e adotar postura mais proativa na defesa dos direitos e interesses dos advogados. Isso inclui a criação de mecanismos que garantam a igualdade salarial, a implementação de políticas de inclusão que realmente façam a diferença, e a luta contra o racismo e o sexismo dentro da profissão. Quando a instituição se alinha a partidos ou movimentos políticos, ela compromete sua imparcialidade e sua capacidade de agir de forma independente em defesa dos advogados. Essa subordinação a interesses políticos faz com que a OAB se acovarde diante de questões importantes, evitando confrontar poderes constituídos e negligenciando a defesa dos direitos e prerrogativas dos advogados. A alternância de poder dentro da OAB é essencial para revitalizar a instituição e garantir que ela possa cumprir seu papel de forma eficaz e independente. É crucial que advogadas e advogados reflitam sobre a necessidade dessa alternância, para que determinados grupos não criem estruturas internas voltadas a garantir que a direção da ordem permaneça durante anos em suas mãos. Para que a OAB possa se tornar uma verdadeira defensora dos direitos dos advogados, é necessário que ela se desvincule completamente de qualquer influência política e que se comprometa com a defesa intransigente dos interesses da classe. Isso inclui a luta por uma remuneração justa, pela igualdade de oportunidades e pela inclusão de todos os advogados, independentemente de sua raça ou gênero. A OAB precisa se transformar em uma instituição verdadeiramente representativa, que seja capaz de enfrentar os desafios da advocacia moderna e de defender com vigor os direitos e prerrogativas dos advogados. Baixe aqui o artigo publicado em 04/09/2024 Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA Clique aqui PARA BAIXAR O PDF Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA Clique aqui PARA BAIXAR O PDF

A BUSCA POR JUSTIÇA

Em 19 de outubro de 2021, Guarulhos foi abalada por um crime que ressoou profundamente através de suas ruas e moradores: Aparecido Donizeti Begosso, um renomado empresário e ex-secretário adjunto de Segurança Pública, foi tragicamente assassinado em seu próprio negócio, o H2O Truck. Este local, conhecido por ser mais que um simples serviço de lavagem de caminhões, tinha se tornado um centro comunitário sob a direção de Begosso, que sempre teve como missão dar oportunidade aos cidadãos mais necessitados, criando um espaço de encontro e suporte mútuo para os cidadãos de Guarulhos. A violência do ato chocou a comunidade não apenas pela perda de uma figura tão querida, mas também pela brutalidade com que foi executada. No dia do crime, três homens invadiram o estabelecimento durante o horário comercial e, sem qualquer hesitação, um deles disparou contra Begosso, que foi atingido fatalmente. O impacto desse evento foi devastador, deixando a comunidade em luto e em choque pela natureza fria do assassinato premeditado. Após o crime, a polícia iniciou uma investigação intensiva. O cruzamento dos dados telefônicos dos celulares encontrados no veículo de um dos envolvidos, preso em flagrante, ajudou a identificar rapidamente os suspeitos, Gustavo Victor de Souza e Clayton Santos Silva, que foram acusados de homicídio qualificado e roubos. A investigação revelou que o assassinato foi cuidadosamente planejado, com motivações que ainda precisavam ser completamente desvendadas. O caso rapidamente ganhou atenção, não apenas pela posição proeminente de Begosso na comunidade, mas também pela audácia e crueldade dos atos cometidos. O julgamento, que ocorreu quase três anos após o crime, foi um período extenuante para a família de Begosso e para a comunidade. Em agosto de 2024, após um julgamento detalhado e emocional no Tribunal do Júri de Guarulhos, Gustavo e Clayton foram condenados. Ambos receberam penas de 26 anos, 8 meses e 22 dias de prisão, refletindo a gravidade de seus crimes. No entanto, a justiça ainda está incompleta, pois Clayton conseguiu fugir e permanece foragido, enquanto Gustavo começou a cumprir sua pena. Além dos condenados, um terceiro indivíduo envolvido no crime, conhecido como “Mal” e identificado mais tarde como Luis Rodrigo Secundo Rocha, que forneceu a arma utilizada no assassinato, também está foragido. Sua localização e captura são cruciais para o encerramento completo do caso, mas até agora, ele tem evitado a captura.   A busca pelo ex-funcionário da H2O Truck, suspeito de ser o atirador que executou os disparos fatais contra Begosso, adiciona outra camada de complexidade e frustração ao caso. Apesar dos esforços contínuos, sua identidade e paradeiro permanecem desconhecidos, e as autoridades estão trabalhando incansavelmente para resolver essas questões pendentes. Este crime não apenas testou os limites da justiça criminal em Guarulhos, mas também destacou a necessidade de engajamento cívico e responsabilidade comunitária. A polícia, o promotor de justiça e os familiares continuam fazendo apelos à comunidade para qualquer informação que possa ajudar na captura dos foragidos e na identificação do atirador desconhecido. O Disque Denúncia permanece uma ferramenta vital para essas comunicações, proporcionando um meio seguro para os cidadãos contribuírem anonimamente com o caso. A comunidade de Guarulhos, embora abalada, mostra resiliência e determinação em buscar justiça por Aparecido Donizeti Begosso. A luta por uma resolução completa é um lembrete contínuo da importância da justiça e do impacto duradouro que crimes como este têm sobre o tecido social de uma cidade. Enquanto os responsáveis não forem totalmente responsabilizados, a sombra deste crime continuará a pairar sobre Guarulhos, motivando todos os envolvidos a buscar justiça e prevenção para que tragédias semelhantes possam ser evitadas no futuro e para que a morte de Begosso possa solucionada e os responsáveis punidos. Baixe aqui o artigo publicado em 28/08/2024 Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA Clique aqui PARA BAIXAR O PDF

Operação Minério do Norte Arquivada

A prisão e subsequente arquivamento do inquérito da Polícia Federal que investigava Donizete Aparecido Gomes representam um episódio emblemático das complexidades e falhas do sistema judiciário brasileiro. Donizete, investigado no âmbito da “Operação Minério do Norte”, foi submetido a uma prisão preventiva em março de 2022, sob a suspeita de integrar uma organização criminosa destinada ao comércio ilegal de ouro. O pedido de prisão preventiva, que tramitou sob o nº 1013514-15.2021.4.01.3100, culminou com sua libertação por ausência de contemporaneidade dos fatos alegados e por fim, com o arquivamento do inquérito relacionado, sob o número 1013496-91.2021.4.01.3100, por falta de provas concretas. A prisão de Donizete foi inicialmente justificada por supostos indícios de sua participação em atividades criminosas complexas, envolvendo lavagem de dinheiro e o comércio ilegal de metais preciosos. Contudo, o desenvolvimento da investigação revelou significativas lacunas nas provas apresentadas contra ele. O juiz Mário de Paula Franco Júnior, da 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Amapá, destacou em sua decisão a falta de requisitos legais para a manutenção da prisão, citando especificamente a ausência de contemporaneidade e a inexistência de perigo concreto ou de fuga como justificativas para a manutenção da prisão preventiva. A argumentação para o arquivamento, conforme promovido pelo Ministério Público Federal, enfatizou a insuficiência de evidências para sustentar as acusações. O Relatório de Análise e a falta de materialidade nas provas coletadas demonstraram uma desconexão crucial entre as acusações preliminares e as evidências concretas disponíveis. A decisão de arquivamento evidenciou uma falha sistemática no processo de coleta e análise de provas, levando a questionamentos sobre a eficácia e a integridade das investigações preliminares. Apesar da resolução legal favorável a Donizete, as repercussões de sua prisão preventiva estenderam-se para além dos tribunais, afetando profundamente sua saúde mental, status social e condição financeira. A experiência traumática da prisão, combinada com o longo período de incerteza e exposição pública, resultou em estigma persistente e danos psicológicos significativos. O impacto social dessa exposição foi igualmente grave, com a reputação de Donizete sendo irremediavelmente prejudicada, dificultando sua reinserção social e profissional. Financeiramente, Donizete enfrentou prejuízos significativos devido ao inquérito e à consequente exposição pública. As circunstâncias envolvendo as investigações exigiram que ele mobilizasse recursos para lidar com as ramificações de uma acusação da qual ele jamais teve qualquer envolvimento. Esses prejuízos, decorrentes não apenas da investigação em si, mas também do estigma associado à exposição, impactaram profundamente sua situação econômica, comprometendo sua estabilidade financeira mesmo após o arquivamento do inquérito. O caso de Donizete Aparecido Gomes serve como um estudo crítico sobre as falhas do sistema judiciário, especialmente em relação à aplicação da prisão preventiva e à gestão de inquéritos complexos. Aponta para a necessidade urgente de reflexões sobre prisões desnecessárias, especialmente no que tange à proteção dos direitos dos acusados e à minimização de danos injustificados causados por acusações infundadas. Além disso, levanta questões importantes sobre os mecanismos de compensação para indivíduos injustamente acusados e as medidas necessárias para restaurar a dignidade e a vida daqueles que são inocentados após investigações e processos judiciais prolongados. A trajetória de Donizete destaca a importância de uma revisão contínua e crítica dos procedimentos legais e das práticas de investigação, assegurando que a justiça seja tanto eficaz quanto equitativa, com o mínimo de dano colateral possível aos envolvidos. Baixe aqui o artigo publicado em 27/08/2024 Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA Clique aqui PARA BAIXAR O PDF Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA Clique aqui PARA BAIXAR O PDF

Guarulhos clama por Justiça para Begosso

Naqueles idos do final dos anos 90, quando o frescor da juventude ainda temperava meus passos, foi que iniciei minha jornada nas intrincadas veredas do Direito. Mal sabia eu que, entre as muitas lições que os livros não poderiam me ensinar, estava o valor da verdadeira amizade, esculpida nas ações de um homem cuja grandeza só poderia ser percebida por aqueles que, como eu, tiveram o privilégio de conhecer Aparecido Donizete Begosso, o querido Begosso. Guarulhos era, à época, um município que, a despeito de suas dificuldades, abrigava corações generosos, prontos a se doar. E Begosso, sempre com uma palavra de ânimo ou um gesto de solidariedade, era a encarnação viva desse espírito comunitário. Não havia para ele maior prazer do que estender a mão àqueles que necessitavam. Tal dedicação se manifestava no CEMMDEROC, idealizado por ele com zelo paternal, onde os guarulhenses, sob o abrigo de sua visão humanista, encontravam não só a recuperação física, mas também o alento moral que os reerguia para a vida. Recordo-me com clareza do dia em que, no auge da minha juventude, sofri uma fratura no platô tibial durante um jogo de futebol. A dor da lesão logo foi amenizada pela providencial intervenção de Begosso, que, com sua diligência quase paternal, garantiu que eu fosse atendido por um dos mais respeitados ortopedistas de São Paulo. Essa generosidade desinteressada foi o ponto de partida de uma amizade que só se fortaleceu com o passar dos anos, e, aos poucos, nossas famílias se entrelaçaram em laços de fraternidade. Begosso não era um homem de grandes discursos ou de feitos retumbantes; sua grandeza residia no cotidiano, nas pequenas, porém, significativas ações que realizava sem alarde. Quando a aposentadoria se aproximou, ele, sempre preocupado com o bem-estar de sua família, fundou a H2O Truck, uma empresa destinada à lavagem de caminhões, assegurando que os seus continuassem a viver com dignidade. Entretanto, o destino, em sua crueldade imprevisível, reservou para nós um capítulo sombrio e trágico. No fatídico dia 19 de outubro de 2021, a vida de Begosso foi brutalmente interrompida. Enquanto trabalhava em seu estabelecimento, aquele que sempre foi um baluarte de bondade e serviço ao próximo, teve sua existência ceifada de maneira vil e covarde. O crime, foi um ato de extrema violência que abalou profundamente todos aqueles que o conheciam e respeitavam. O que mais choca não é apenas a perda irreparável de um amigo, de um pai, de um avô, mas a forma desumana com que ele foi arrancado do convívio de sua família e da comunidade. Begosso, que tanto fez pelo bem-estar dos outros, encontrou uma morte que nenhum homem de seu caráter merecia. Fui tomado por uma indignação silenciosa, que se misturava à tristeza profunda de ver um amigo partir de maneira tão cruel. Agora, com o julgamento marcado para o próximo dia 22 de agosto, a nossa cidade aguarda ansiosamente por justiça. E é com o peso dessa responsabilidade que atuo como assistente de acusação no júri popular. Não só por uma questão de dever profissional, mas por um compromisso moral com a memória de um amigo cuja vida foi dedicada ao bem. A justiça, não é apenas uma palavra fria nos códigos legais; ela é o alicerce sobre o qual toda sociedade deve se erguer. Que o julgamento seja conduzido com a serenidade e a gravidade que o caso requer, e que os algozes de Begosso sejam punidos com o rigor da lei. Pois só assim, poderemos, talvez, aliviar um pouco do peso que essa tragédia impôs sobre nossos corações e permitir que a alma de Begosso descanse em paz, sabendo que sua luta pela bondade e pela justiça não foi em vão. Baixe aqui o artigo publicado em 20/08/2024 Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA Clique aqui PARA BAIXAR O PDF Clique aqui PARA ACESSAR A MATERIA Clique aqui PARA BAIXAR O PDF

Reflexões sobre o Dia do Advogado

Neste 11 de agosto, ao celebrarmos o Dia do Advogado, somos convocados a uma reflexão crítica sobre o papel que desempenhamos na administração da justiça e na defesa dos direitos fundamentais. A advocacia, como pilar da construção de uma sociedade justa e democrática, é fundamental na garantia dos direitos e liberdades individuais assegurados pela nossa Constituição. Entretanto, os desafios que enfrentamos são imensos e estão em crescimento, exigindo uma ação contundente e unificada em prol da valorização e respeito à nossa profissão. Nos últimos anos, testemunhamos uma crescente desvalorização da advocacia, tanto por parte da sociedade quanto, e mais preocupantemente, pelos agentes dos poderes constituídos. Incidentes de desrespeito às prerrogativas profissionais, violações de direitos constitucionais por parte do Poder Judiciário e a frequente desconsideração por agentes de segurança pública são apenas algumas das adversidades que enfrentamos. Este desrespeito contínuo às prerrogativas profissionais é inaceitável e clama por uma resposta vigorosa da OAB. Em Guarulhos, a situação demanda atenção especial. Advogados e advogadas da região têm enfrentado um cenário de preterição, sendo muitas vezes substituídos por profissionais de São Paulo, apesar de possuírem igual qualificação e competência. Este fenômeno não apenas subestima o talento local, mas também reflete uma falha significativa da OAB Guarulhos em promover e valorizar adequadamente os profissionais do município. É imperativo que a OAB de Guarulhos desenvolva estratégias eficazes para valorizar esses advogados, fomentando parcerias com empresários locais e utilizando plataformas de mídia para realçar suas competências e qualidade. Além disso, enfrentamos uma desigualdade salarial alarmante na profissão, como apontado por uma pesquisa publicada pela Folha de São Paulo em junho, onde revela que mulheres e advogados negros ganham significativamente menos do que seus colegas homens e brancos, mesmo possuindo o mesmo nível de experiência e competência. A OAB tem o dever de implementar políticas afirmativas e promover ações concretas que garantam igualdade de oportunidades e de remuneração dentro da nossa classe. A realização de eleições diretas para a OAB Nacional é outro ponto crucial que pode fortalecer a advocacia, garantindo que os advogados tenham voz ativa na escolha de seus representantes e na definição de políticas que afetam diretamente a profissão. A alternância no poder é essencial para evitar a estagnação administrativa e para introduzir novas ideias que contribuam para o aprimoramento contínuo da advocacia. O papel dos advogados mais experientes é fundamental nesse processo. Em Guarulhos, é necessário que esses profissionais reassumam posições de liderança dentro da OAB e colaborem estreitamente com os jovens advogados, auxiliando-os nos primeiros passos da profissão. Neste Dia do Advogado, embora enfrentemos desafios significativos, devemos também enxergar esta data como um momento de esperança e renovação. A revitalização da OAB e a alternância em seu poder são essenciais para esse processo. Que este 11 de agosto nos inspire a continuar lutando por uma advocacia forte, respeitada e verdadeiramente comprometida com os ideais de justiça e democracia. Baixe aqui o artigo publicado em 14/08/2024 Clique aqui PARA BAIXAR O PDF Clique aqui PARA BAIXAR O PDF