
A ausência de dados oficiais sobre prisões cautelares ilegais e condenações maculadas por erros judiciários é um temerário indício da ocultação dessas “vítimas” do sistema penal brasileiro. O Ministério da Justiça, o Departamento Penitenciário Nacional e o Conselho Nacional de Justiça não desenvolvem estudos a respeito de injustas condenações, mantendo na escuridão as atrocidades praticadas pelo Judiciário. A Constituição de 1988 é a que mais se preocupou em toda a história de nosso País com os direitos e garantias individuais e, mesmo assim, erros judiciários ocorrem diariamente. Ao invés de reduzir direitos e garantias para combater a criminalidade, o Estado deve investir na prevenção do crime, com a formação de policiais eficientes e bem remunerados, assim como em políticas públicas voltadas à educação, moradia, distribuição de rendas, Planejamento e criação de empregos formais, evitando que o Estado continue iniciando seus filhos no mundo do crime e no sistema prisional.
Nossa maior missão nos dias atuais, em que as Forças Armadas vão às ruas para suprir a ineficiência do policiamento preventivo e repressivo, é não nos acovardarmos diante da insegurança pública e jurídica prevalecente em nosso País e lutarmos para que a Justiça também se mantenha democratizada dentro das regras jurídicas equânimes de mossa Constituição cidadã.